home notícias localização história geológica galeria horários contactos  
 
  História Geológica  

Tudo terá começado há cerca de 480 Ma (Período Ordovícico) com uma transgressão marinha, nas margens pouco profundas do paleocontinente Gondwana, em latitudes então muito próximas do Pólo Sul.

Esta está retratada na deposição, em discordância angular com rochas mais antigas, de seixos associados a sedimentos e cinzas provenientes de erupções vulcânicas, que originaram os conglomerados de matriz vulcanosedimentar actuais. A estes últimos, seguiu-se o depósito de novos materiais, fundamentalmente constituídos por areias, que vieram a formar os quartzitos, nos quais ficaram preservados inúmeras marcas de actividade de seres vivos (icnofósseis), merecendo destaque as pistas de Cruziana, realizadas por artrópodes.

A contínua subida do nível médio das águas do mar então verificada, fez com que os materiais depositados em seguida fossem mais finos (siltes e argilas), o que ajudou de sobremaneira à fossilização de muitos dos seres vivos, que então ocupavam estes habitats, e que hoje encontramos preservados nas ardósias. Desses habitantes remotos destacam-se as Trilobites, mas podemos ainda encontrar Braquiópodes, Gastrópodes, Bivalves, Cefalópodes, Equinodermes, Hyolitídeos, Cnidários, Graptólitos ou microfósseis, entre outros.

Todo um conjunto de seres mais ou menos primitivos, que habitavam e dominavam os mares, numa altura em que a Terra era estéril e onde não existiam ainda plantas. O depósito destes materiais nem sempre foi contínuo, sendo uma dessas interrupções marcada actualmente pela existência de um nível pouco espesso de ferro sedimentar. Após a ocorrência de uma importante paragem na sedimentação (aprox. 15 Ma), e num período marcado por uma intensa glaciação, há cerca de 445 Ma, começámos por assistir ao depósito de areias, que posteriormente originaram quartzitos, e com a progressiva subida do nível do mar, ao depósito de siltes e argilas, que geraram gresoxistos, onde se intercalaram pequenos seixos. Estes últimos estavam inicialmente aprisionados nos icebergs, à deriva no mar, e devido à fusão do gelo desprenderam-se e depositaram-se no fundo do mar sob a forma de uma “chuva de clastos”.

Com o constante aprofundar do mar, e já durante o Período Silúrico (443 a 416 Ma), assistiu-se ao depósito de sedimentos muito finos e em condições de muito baixa oxigenação, que originaram xistos negros, pontualmente intercalados por níveis finos de quartzitos, onde ficaram preservados alguns fósseis de seres planctónicos coloniais, denominados Graptólitos, actualmente muito importantes na determinação da idade de rochas tão antigas quanto estas. Posteriormente, com o abaixamento progressivo do nível do mar, durante o Período Devónico (416 a 359 Ma), e o consequente depósito de materiais mais arenosos, formaram-se greso-xistos e quartzitos, onde ficaram preservados restos de trilobites e de peixes, entre outros.

Ao recuo total do mar que cobria estes materiais, não é de todo alheia a acção da tectónica (Orogenia Varisca) que, dobrando destes materiais, conduziu à formação de uma importante cadeia montanhosa, da qual o denominado Anticlinal de Valongo é hoje uma reminiscência. Esta movimentação conduziu à formação de uma bacia de sedimentação continental (lacustre), na parte final do Período Carbónico (há cerca de 300 Ma), com desenvolvimento de frondosa vegetação nas suas margens, que mais tarde originaria o carvão, amplamente explorado nas minas de S. Pedro da Cova e do Pejão, a montante do concelho de Arouca. Dentro desta região, os materiais depositados nesta altura são representados por xistos com fósseis de vegetais, intercalados com arenitos, e um espesso conglomerado, resultante da erosão e desagregação das vertentes da bacia carbonífera.

O dobramento sofrido por estas rochas foi o resultado, da reunião dos vários continentes então existentes e que culminaria na formação de um super-continente – a Pangea – há cerca de 250 Ma.

 





 
CIGC - Canelas de Cima Cx 213, 4540-252 Arouca - Portugal